Davos - Ao desembarcarem em Davos para participar do Fórum Econômico Mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a equipe econômica vão receber muitos elogios pelas suas primeiras semanas à frente do governo, mas também poderão constatar o elevado grau de desconfiança com as perspectivas da economia do País que ainda predomina entre analistas, investidores e empresários estrangeiros.
Há um consenso de que o novo governo foi capaz de iniciar um processo de recuperação de confiança junto aos mercados externos, mas ainda é muito cedo para afirmar que essa melhora de sentimento em relação ao Brasil será sustentada e aprofundada.
O vice-presidente do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, Thomas Russo, disse que o início do governo petista tem sido muito positivo. "Os nomes escolhidos para a equipe econômica foram importantes na construção da credibilidade do novo governo", disse Russo à Agência Estado. "Mas ainda há sérios desafios a serem enfrentados pelo Brasil e acho que os mercados estão ainda adotando uma postura de esperar para ver."
O presidente da Pfizer, Henry McKinnell, disse que "ainda é muito cedo “para se fazer uma avaliação do novo governo brasileiro. "Se de fato a confiança aumentou, nós veríamos a economia começando a se recuperar, inicialmente com mais gasto dos consumidores, então haveria investimentos para expandir a capacidade industrial e aí sim veríamos o inicio de uma recuperação econômica no Brasil", disse Mckinnell. "Não vi nenhuma evidencia disto ainda, mas estamos esperançosos."
O diretor da consultoria norte-americana At Kearney, Paul Laucidina, elogiou as primeiras semanas de Lula no poder. “Mas a lua-de-mel vai ser curta e estamos entrando no segundo estágio do novo governo, que será bem mais difícil", disse Laudicina. "O teste real vai acontecer agora, o governo terá de mostrar como pretende implementar as reformas. Esse teste vai acontecer todos os dias."
Laudicina observou que os fluxos globais de investimento direto estrangeiro vão continuar limitados nos próximos anos. "Como haverá menos investimentos, aumentará a competição entre os países emergentes para atrair esses fluxos de capitais", afirmou. "E os países que atraírem o maior grau de confiança terão uma vantagem enorme. Por isso, os passos do governo brasileiro ao longo de 2003 serão fundamentais."
Para Bertrand Collomb, presidente da maior empresa de materiais de construção do mundo, a francesa Lafarge, há agora uma a atmosfera de maior confiança no Pais mas a comunidade internacional ainda quer mais informações sobre o novo governo. "Será muito bom que o presidente Lula e alguns membros do governo estejam aqui em Davos, estamos ansiosos para ouvi-los."
Já o presidente do grupo financeiro japonês Nomura Holdings. Junichi Ujiie, alertou sobre a necessidade de aliviar a carga da dívida brasileira. "Um ponto importante é a disciplina fiscal, porque o Brasil tem muita dívida no mercado internacional, seja em dólar ou em ienes", disse Ujiie.
Estadao
Fernando Dantas e João Caminoto